{"id":9822,"date":"2018-05-03T09:09:28","date_gmt":"2018-05-03T09:09:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistabinter.com\/?p=9822\/"},"modified":"2024-01-25T09:23:01","modified_gmt":"2024-01-25T09:23:01","slug":"tibau-tavares-voz-do-maio-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/2018\/05\/03\/tibau-tavares-voz-do-maio-na-europa\/","title":{"rendered":"Tibau Tavares, a voz do Maio na Europa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Por <em>Teresa Sofia Fortes<\/em><\/p>\n<p><strong>Em Cabo Verde, ele \u00e9 o compositor que faz sucesso na voz de Lura e outras grandes int\u00e9rpretes do pa\u00eds. Na Alemanha, e um pouco por toda a Europa, ele \u00e9 o cantor que, ao lado da banda techno Pupkulies and Rebecca, desvela as belezas da pacata ilha do Maio, sua terra natal, a um p\u00fablico \u00e1vido de ritmos novos. Ele \u00e9 Tibau Tavares, que, ap\u00f3s dois discos e um terceiro que est\u00e1 na forja, n\u00e3o acredita na sorte, mas no trabalho \u00e1rduo, associado ao sofrimento, como a f\u00f3rmula perfeita para o sucesso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c7 M\u00fasicas\u201d \u00e9 o seu mais recente trabalho discogr\u00e1fico. Apresenta-o para n\u00f3s. <\/strong><\/p>\n<p>Este disco \u00e9 totalmente diferente do primeiro. Porque, se o primeiro tem uma fus\u00e3o muito grande entre a m\u00fasica dos Pupkulies and Rebecca, a banda alem\u00e3 que trabalha comigo, e a minha m\u00fasica. Desta vez, o meu produtor prop\u00f4s que fiz\u00e9ssemos um disco mais tradicional de m\u00fasica cabo-verdiana. O disco tem fus\u00f5es, \u00e9 claro, mas dentro da vis\u00e3o do que \u00e9 m\u00fasica de Cabo Verde. Como indica o nome, o CD tem sete faixas, e foi lan\u00e7ado no Africa Festival, este ano, em Wuzburgo, o maior festival de m\u00fasica africana da Europa. Foi um lan\u00e7amento feliz porque foi lan\u00e7ado nesse certame e est\u00e1 a vender bem, sobretudo na Europa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9824 size-full\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tibau-Tavares-11.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"213\" \/><\/p>\n<p><strong>Foi uma mudan\u00e7a radical da linha mel\u00f3dica? <\/strong><\/p>\n<p>O primeiro disco &#8220;Pupkulies and Rebecca play Tibau&#8221; traz m\u00fasica tradicional cabo-verdiana, composi\u00e7\u00f5es minhas e techno europeu, pois os Pupkulies and Rebecca s\u00e3o uma banda techno. Eu interpretei a m\u00fasica cabo-verdiana, cantando e tocando, eles meteram a componente techno. Foi um casamento feliz que resultou num produto muito bom, com cr\u00edticas muito positivas de revistas da especialidade europeias. Foi um trabalho muito bonito, fez-me feliz. N\u00e3o pensei que seria t\u00e3o bom.<\/p>\n<p><strong>Quando recebeu a proposta de se juntar aos Pupkulies and Rebecca,<\/strong> <strong>n\u00e3o acreditava que seria poss\u00edvel tal fus\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre acreditei que seria poss\u00edvel, mas, de facto, o resultado surpreendeu-me, foi al\u00e9m das minhas expectativas porque a m\u00fasica de Cabo Verde \u00e9 como a nossa cachupa: se lhe d\u00e1s peixe, ela toma, se lhe d\u00e1s carne de vaca, repolho, tamb\u00e9m toma, mas \u00e9 sempre cachupa. Portanto, sabia que daria resultado, mas era preciso encontrarmos o caminho certo, e, felizmente, entrosamo-nos bem. Ent\u00e3o, meti toda a base ac\u00fastica da m\u00fasica de Cabo Verde, tocando guitarra e cavaquinho. At\u00e9 meti o som do cavaquinho numa faixa de funk, o que foi estranho, ao princ\u00edpio. O resultado foi um \u00e1lbum bonito. J\u00e1 o \u201c7 M\u00fasicas\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de m\u00fasica totalmente cabo-verdiana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Podemos dizer que, se no primeiro disco foi o Tibau que se adaptou ao estilo dos Pupkulies and Rebecca, desta vez foi a banda alem\u00e3 que se adaptou ao seu estilo? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, foi um casamento consentido, m\u00fatuo. Fomos tocando e experimentando, at\u00e9 encontrarmos o som que satisfazia a todos. Foi um trabalho divertido.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 conhecido em Cabo Verde sobretudo como compositor. Agora, investe na carreira de int\u00e9rprete, como provam os dois discos j\u00e1 editados. Qual a diferen\u00e7a entre ser voc\u00ea pr\u00f3prio a cantar as suas composi\u00e7\u00f5es e entreg\u00e1-las a outros para cantarem? <\/strong><\/p>\n<p>Sempre me assumi como compositor, nunca me passara pela cabe\u00e7a fazer carreira como cantor. Sempre cantei, mas apenas em tocatinas, como amador, e para me divertir e divertir meus amigos. Entretanto, surgiu a proposta dos Pupkulies and Rebecca para trabalhar com eles, com a exig\u00eancia de que cantasse. Assim, tive que faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9824\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tibau-Tavares-11.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"213\" \/><\/p>\n<p><strong>Portanto, gostou da experi\u00eancia. Afinal, j\u00e1 v\u00e3o no segundo disco. \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Sim, fiquei surpreendido comigo pr\u00f3prio. E o p\u00fablico alem\u00e3o apreciou a minha performance e o meu casamento com a banda. Por isso, acredito que me sa\u00ed bem na pele de cantor. Mas continuou a abastecer os cantores de Cabo Verde porque n\u00e3o me sinto \u00e0 vontade a cantar todos os g\u00e9neros da nossa m\u00fasica porque nem todos se adaptam ao meu timbre de voz. Al\u00e9m de mornas, dou a cantar coladeiras, mazurcas, pois sinto que ficam melhores nas vozes de outros. Acho que n\u00e3o devo cantar mornas, mas componho muitas mornas e as dou a outros int\u00e9rpretes, que considero mais capazes para interpret\u00e1-las, pois \u00e9 um estilo que respeito imenso. Ainda assim, em \u201c7 M\u00fasicas\u201d h\u00e1 uma faixa que pode ser definida como morna &#8211; \u201cDjarmai Azul\u201d -, mas tem um balan\u00e7o que o tira do espectro tradicional da morna. Mas continuo a preferir que a morna seja tocada cabo-verdianamente, sem influ\u00eancias de jazz, ou qualquer outro g\u00e9nero.<\/p>\n<p><strong>O Tibau cantor vai continuar a aparecer? <\/strong><\/p>\n<p>Sim, vou continuar a investir na minha carreira de int\u00e9rprete, porque, pelo menos na Europa, o p\u00fablico tem sido muito recetivo, mas nunca deixarei de ser compositor. Uma das minhas \u00faltimas composi\u00e7\u00f5es chama-se \u201cWonderful Africa\u201d, que foi a can\u00e7\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o do \u00c1frica Festival do ano passado, interpretado por cerca de 25 cantores. Foi super interessante.<\/p>\n<p><strong>Sonhou e trabalhou para o sucesso na Europa, ou foi obra do acaso? <\/strong><\/p>\n<p>M\u00fasica \u00e9 arte, mas a discografia \u00e9 uma ind\u00fastria. Por isso, exige marketing capaz de elevar o artista e o seu trabalho. Eu estava confiante no sucesso na Europa porque o meu produtor \u00e9 europeu e j\u00e1 consagrado no Velho Continente. Sabia de antem\u00e3o que a parceria com ele daria certo. Em contrapartida, o meu trabalho \u00e9 pouco divulgado aqui em Cabo Verde, pois, sendo europeu, o meu produtor investe mais na Europa, cujo mercado conhece melhor e \u00e9, obviamente, maior e mais rico.<\/p>\n<p><strong>Isso deixa-o triste, preocupado?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, gostaria de ter em Cabo Verde a mesma proje\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tenho na Europa. Pelo menos, l\u00e1 tudo est\u00e1 a dar certo.<\/p>\n<p><strong>Como m\u00fasico\/compositor, o seu sentimento \u00e9 querer continuar com os Pupkulies and Rebecca? <\/strong><\/p>\n<p>A minha parceria com os Pupkulies and Rebecca n\u00e3o tem data para terminar. N\u00e3o temos inten\u00e7\u00e3o de p\u00f4r-lhe fim. Est\u00e1 a correr muito bem. O primeiro disco saiu em 2013, h\u00e1 cinco anos, o segundo foi lan\u00e7ado em 2017. N\u00e3o sei quando vai sair o pr\u00f3ximo, mas certo \u00e9 que j\u00e1 temos seis m\u00fasicas gravadas. Ainda temos muita coisa para fazermos juntos.<\/p>\n<p><strong>A sua m\u00fasica \u00e9 cabo-verdiana, mas, obviamente, est\u00e1 permeada de influ\u00eancias. Mas, como Tibau, o compositor, a define? <\/strong><\/p>\n<p>Sim, a minha m\u00fasica \u00e9 uma m\u00fasica de fus\u00e3o. Ali\u00e1s, a maioria dos m\u00fasicos cabo-verdianos hoje n\u00e3o canta m\u00fasica tradicional de Cabo Verde. N\u00e3o considero a m\u00fasica de Tcheka Andrade tradicional, nem a de Mayra Andrade, s\u00e3o uma fus\u00e3o. Quem cantou m\u00fasica puramente cabo-verdiana foi Ces\u00e1ria \u00c9vora, Bana. Tito Paris no seu primeiro disco tamb\u00e9m interpreta m\u00fasica tradicional de Cabo Verde, mas a seguir enveredou pela fus\u00e3o, com muito jazz pelo meio.<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 provocado pelos pr\u00f3prios m\u00fasicos cabo-verdianos ou por press\u00e3o do mercado internacional? <\/strong><\/p>\n<p>Acredito que \u00e9 provocado pelos artistas cabo-verdianos, talvez para mostrar a evolu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica de Cabo Verde, que antes era tocada de modo simples, tal como \u00e9 a m\u00fasica de Ces\u00e1ria \u00c9vora, que devido \u00e0 grande qualidade da sua voz, \u00fanica at\u00e9, n\u00e3o precisava de grande suporte musical. Mas quem n\u00e3o tem a mesma qualidade de voz, procura enriquecer o disco, metendo jazz e outros g\u00e9neros para enriquecer a m\u00fasica, porque s\u00f3 a voz n\u00e3o chega para dar qualidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9829\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/7-musicas.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/7-musicas.jpg 500w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/7-musicas-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/7-musicas-242x242.jpg 242w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/7-musicas-44x44.jpg 44w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00c9 natural da ilha do Maio, onde vive ainda hoje. Al\u00e9m das suas composi\u00e7\u00f5es que falam explicitamente da sua terra natal, que outros elementos identificam a cultura da ilha do Maio na sua m\u00fasica? <\/strong><\/p>\n<p>Santiago tem batuco, funan\u00e1, tabanka. S\u00e3o Vicente, Brava, Boa Vista t\u00eam morna, coladeira. Mas Maio n\u00e3o \u00e9 uma ilha que se identifica com um estilo determinado de m\u00fasica, n\u00e3o h\u00e1 um g\u00e9nero musical que possamos dizer que \u00e9 puramente maense. Portanto, tenho que buscar essa identifica\u00e7\u00e3o nas palavras. Cito a ilha do Maio de diversas formas. No meu \u00faltimo disco, por exemplo, h\u00e1 uma m\u00fasica que se chama \u201cTchoro di Maio\u201d, que \u00e9 baseada nas minhas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia. Costumava acompanhar a minha m\u00e3e quando ela ia a casa de uma fam\u00edlia que perdera um ente querido apresentar as suas condol\u00eancias. O choro dos parentes, lamentando a partida, soava-me a m\u00fasica. Tentei durante muito tempo escrever uma m\u00fasica sobre isso. Levei mais de 10 anos, queria que fosse uma m\u00fasica de qualidade, n\u00e3o algo qualquer. Acho que consegui.<\/p>\n<p><strong>Se a ilha do Maio n\u00e3o tem g\u00e9neros musicais aut\u00f3ctones, qual a riqueza da m\u00fasica da ilha do Maio? <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a qualidade. Vejamos o caso da morna. Na era do Eug\u00e9nio Tavares a morna tinha uma certa dire\u00e7\u00e3o, na era de B. Leza tomou outra dire\u00e7\u00e3o, com o famoso meio-tom. Nos \u00faltimos tempos, a morna tornou-se contempor\u00e2nea, com um estilo de harmoniza\u00e7\u00e3o diferente que muita gente apelida de \u201cmorna de Maio\u201d. Porque as melhores mornas dos \u00faltimos anos foram escritas e musicadas por compositores da ilha do Maio.<\/p>\n<p><strong>A mim essas mornas soam mais como baladas. Estou errada? <\/strong><\/p>\n<p>Sim, pode ser. \u00c9 uma terceira gera\u00e7\u00e3o da morna, e vem da ilha do Maio. J\u00e1 reparei que os compositores das outras ilhas do pa\u00eds n\u00e3o fazem mornas assim.<\/p>\n<p><strong>Que \u201cingredientes\u201d diferenciadores tem essa morna? <\/strong><\/p>\n<p>Como disse antes, \u00e9 a harmoniza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 totalmente diferente. Quando a harmoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 exigente a melodia acaba por ser fabulosa, muito original. \u201cNoite de Porto Ingl\u00eas\u201d, escrita por mim, \u201cCuzas di Cora\u00e7on\u201d, de B\u00eatu, s\u00e3o dois bons exemplos desse produto que vem da ilha do Maio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9825\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tibau-Tavares-12.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tibau-Tavares-12.jpg 384w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tibau-Tavares-12-161x242.jpg 161w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/p>\n<p><strong>Sente que esse contributo do Maio para a m\u00fasica e a cultura, em geral, recebe o devido reconhecimento, ou, tal como outras riquezas da ilha, esta ainda n\u00e3o \u00e9 valorizado a n\u00edvel nacional? <\/strong><\/p>\n<p>Maio tem sido, infelizmente, colocado sempre num patamar inferior, inclusive na m\u00fasica. Se os criadores desse estilo de morna fossem origin\u00e1rios de alguma outra ilha do pa\u00eds, seriam certamente valorizado.<\/p>\n<p><strong>Sente-se lesado por esta falta de reconhecimento? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, nunca. Wolfang Mozart, o grande compositor, morreu pobre. O nosso grande B. Leza tamb\u00e9m sofreu muito. Artista tem que sofrer. O artista que n\u00e3o sofre n\u00e3o faz um bom trabalho porque a \u201csabura\u201d n\u00e3o te deixa fazer um bom trabalho. \u00c9 do sofrimento que nasce a melhor inspira\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>Acredita, ent\u00e3o, que o sofrimento aperfei\u00e7oa a arte? <\/strong><\/p>\n<p>Sim! O sofrimento obriga-te a tirar algo genu\u00edno de dentro de ti. Como dissemos em crioulo, \u201ccatchor oh ki sta sabi ta sai na Tchata da mata cabra\u201d (risos)!!!!<\/p>\n<p><strong>Mas h\u00e1 quem busque o sucesso imediato. <\/strong><\/p>\n<p>Sim. Um ou outro pode ter sorte, mas a maioria leva um certo tempo para alcan\u00e7ar o sucesso. Porque nem sempre acertamos, outras vezes somos imaturos, arrogantes. E ainda outras vezes ningu\u00e9m acredita em n\u00f3s o suficiente para apostar em uma campanha de marketing. E, quando finalmente algu\u00e9m acredita em ti, j\u00e1 est\u00e1s velho, como aconteceu com a Ces\u00e1ria \u00c9vora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Teresa Sofia Fortes Em Cabo Verde, ele \u00e9 o compositor que faz sucesso na voz de Lura e outras grandes int\u00e9rpretes do pa\u00eds. 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