{"id":9745,"date":"2018-04-14T08:00:31","date_gmt":"2018-04-14T08:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistabinter.com\/?p=9745\/"},"modified":"2024-01-25T09:23:01","modified_gmt":"2024-01-25T09:23:01","slug":"as-rochas-sao-atrativas-turismo-vulcanico-no-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/2018\/04\/14\/as-rochas-sao-atrativas-turismo-vulcanico-no-fogo\/","title":{"rendered":"As rochas s\u00e3o atrativas: turismo vulc\u00e2nico no Fogo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Texto e fotografias por <em>Javier D\u00f3niz P\u00e1ez*<\/em><\/p>\n<p>A biodiversidade geralmente ocupa uma posi\u00e7\u00e3o cimeira no ranking das prefer\u00eancias aquando da escolha de um destino de turismo natural. Assim, a geodiversidade e a hidrodiversidade desempenham um papel secund\u00e1rio, mesmo quando constituem os elementos dominantes da paisagem. Mas aten\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes geologia e geomorfologia s\u00e3o fundamentais na geografia f\u00edsica e humana de alguns territ\u00f3rios, e podemos falar de paisagens geol\u00f3gicas ou geomorfol\u00f3gicas. Este \u00e9 o caso da ilha do Fogo em Cabo Verde, onde os processos e as formas vulc\u00e2nicas constituem a marca paisag\u00edstica mais significativa da ilha e o seu sinal identit\u00e1rio mais emblem\u00e1tico, condicionando at\u00e9 o pr\u00f3prio nome.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9749\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figura-1-Volc\u00e1n-Pico-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figura-1-Volc\u00e1n-Pico-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figura-1-Volc\u00e1n-Pico-323x242.jpg 323w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figura-1-Volc\u00e1n-Pico-750x563.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>O turismo vulc\u00e2nico \u00e9 um setor muito importante do geoturismo, que \u00e9 definido como a explora\u00e7\u00e3o e estudo das formas e processos geot\u00e9rmicos de vulc\u00f5es ativos, mas tamb\u00e9m como a visita a vulc\u00f5es adormecidos ou regi\u00f5es de vulcanismo extinto, desde que seu patrim\u00f3nio geol\u00f3gico e geomorfol\u00f3gico seja atrativo, de interesse para gerar fluxos de visitantes. \u00c9 particularmente popular devido \u00e0 ampla gama de recursos e atra\u00e7\u00f5es que s\u00e3o explorados nos vulc\u00f5es: a paisagem, as erup\u00e7\u00f5es, as termas, a pr\u00e1tica de desportos de risco e aventura, ecoturismo e turismo cient\u00edfico, praias de areia negra, arqueologia e parques culturais, al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o entre vulc\u00f5es e religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta diversidade reside o \u00eaxito do geoturismo, que se manifesta atrav\u00e9s das redes mundial e europeia de geoparques.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9748\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Barcas-en-Mosterios-isla-de-Fogo-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Barcas-en-Mosterios-isla-de-Fogo-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Barcas-en-Mosterios-isla-de-Fogo-323x242.jpg 323w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Barcas-en-Mosterios-isla-de-Fogo-750x563.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>A ilha do Fogo pertence ao grupo de ilhas do sotavento do arquip\u00e9lago de Cabo Verde, a cerca de 600 km da costa oeste africana. Como o resto das dez ilhas do arquip\u00e9lago \u00e9 de origem vulc\u00e2nica, mas a principal diferen\u00e7a \u00e9 que, no Fogo, as erup\u00e7\u00f5es continuaram at\u00e9 hoje, a \u00faltima em 2014-15, sendo a ilha geologicamente mais recente de Cabo Verde. Esse facto pode ser observado tanto na variedade de formas e processos vulc\u00e2nicos, quanto na sua natureza recente e vulcanicamente ativa.<\/p>\n<p>A visita geotur\u00edstica ao Fogo pode ser dividida em dois passeios tendo em conta a diversidade de atra\u00e7\u00f5es que o turismo vulc\u00e2nico prop\u00f5e. Um \u00e9 do tipo circular ao longo dos lados da ilha com acesso pontual ao litoral, onde se pode apreciar a diversidade natural e cultural, dominada por paisagens africanas de savana e dezenas de cones vulc\u00e2nicos. O outro passeio centra-se exclusivamente em Ch\u00e3 das Caldeiras.<\/p>\n<p>Para isso, come\u00e7amos a partir da capital, S\u00e3o Filipe, de uma das poucas praias da areia vulc\u00e2nica negra, onde os penhascos surpreendem com seu basalto em colunas e almagres. A pr\u00f3xima paragem \u00e9 Ponta do Salinas, onde encontraremos uma praia de areia negra com abundantes cristais de olivina verde e numerosos arcos naturais, tubos vulc\u00e2nicos e <em>jameos<\/em> resultantes da eros\u00e3o das lavas quando chegarem ao mar. A\u00ed, \u00e9 comum ver os pescadores com seus barcos coloridos e os habitantes locais tomando banhos nos dias designados.<\/p>\n<p>Visitaremos sucessivamente Mosteiros, terra do saboroso caf\u00e9 do Fogo, instalada numa plataforma litoral constitu\u00edda por terras aluviais e l\u00ednguas de lava que chegam \u00e0 costa, cujas areias s\u00e3o exploradas pelos habitantes locais para a constru\u00e7\u00e3o, extraindo-a mesmo do fundo do mar. N\u00e3o esque\u00e7amos um dos poucos exemplos de vulcanismo hidromagm\u00e1tico, com o vulc\u00e3o Sambango ou os campos de lava de Corvo, onde as terras baldias de lavas <em>aa<\/em> alternam com as forma\u00e7\u00f5es<em> pahoehoe <\/em>das erup\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do vulc\u00e3o Monte Preto de Baixo do interior de Ch\u00e3 das Caldeiras, em 1852.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer os numerosos barrancos que cindem a encosta leste do vulc\u00e3o Pico de Fogo e os lados da ilha, que em per\u00edodos de chuva forte cortam as estradas e as pontes de pedra vulc\u00e2nica. Depois encontramos o miradouro de Alto Espig\u00e3o, de onde se conseguem belas panor\u00e2micas de parte da vertente este, do vulc\u00e3o Pico e dos trajetos de lava negra da erup\u00e7\u00e3o de 1951 do Monte Lentisco-Orlando.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9746\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figuras-2-Caldera-norte-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figuras-2-Caldera-norte-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figuras-2-Caldera-norte-323x242.jpg 323w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/AF_Figuras-2-Caldera-norte-750x563.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Em cada uma das paragens podemos desfrutar da hist\u00f3ria, da cultura ou da gastronomia da ilha do Fogo, acompanhadas pela boa vontade e pelo car\u00e1cter am\u00e1vel dos seus habitantes.<\/p>\n<p>No entanto, o lugar mais emblem\u00e1tico para o turismo vulc\u00e2nico \u00e9 Ch\u00e3 das Caldeiras-Pico de Fogo. Todo este sector est\u00e1 sob a prote\u00e7\u00e3o do Parque Natural do Fogo, que se reparte pelos tr\u00eas munic\u00edpios da ilha (Santa Catarina, Mosteiros e S\u00e3o Filipe) e cujo principal objetivo \u00e9 proteger a fauna e flora end\u00e9micas como a <em>Echium vulcanorum <\/em>ou a Freira-do-bugio (<em>Pterodroma feae<\/em>).<\/p>\n<p>\u00c9 uma caldeira vulc\u00e2nica de colapso aberta a leste, com escarpas de 1.000 metros, uma superf\u00edcie de 29 km2, um di\u00e2metro de 9 km e um estratovulc\u00e3o com mais de 1.000 metros de altura. Desde 1460-61, quando a ilha foi descoberta, at\u00e9 hoje, registaram-se 27 erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, que tornam Ch\u00e3 das Caldeiras uma paisagem vincadamente mineral em que pontualmente se podem detetar as florestas de Monte Velha no norte, tudo isto sob um dos c\u00e9us noturnos mais espetaculares que o visitante pode apreciar.<\/p>\n<p>O parque tem uma rede de trilhas e caminhos que atravessam todas as suas unidades geomorfol\u00f3gicas (Bordeira, Ch\u00e3 e Pico), onde os geotouristas, al\u00e9m de desfrutar de diferentes atividades, podem aproximar-se da hist\u00f3ria, cultura e gastronomia dos habitantes de Portela e Bangaeira. A sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o dos estragos de erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, qual f\u00eanix, e sua aprecia\u00e7\u00e3o por uma geografia dura, tornam os habitantes de Ch\u00e3 das Caldeiras um povo vigoroso, mas acima de tudo am\u00e1vel para com o visitante. Talvez este seja o motivo do seu sucesso como destino de geoturismo<\/p>\n<p>A visita \u00e0 ilha do Fogo ir\u00e1 sem d\u00favida permitir ao turista maravilhar-se com as paisagens vulc\u00e2nicas recentes, plenas de geodiversidade, mas tamb\u00e9m deleitar-se com as cores, os odores e os sabores pr\u00f3prios da sua geografia.<\/p>\n<p>Parece um lugar-comum, mas mal a conhe\u00e7a ir\u00e1 apaixonar-se pela ilha do Fogo, e sobretudo pelos seus habitantes.<\/p>\n<p>*Universidade de La Laguna<\/p>\n<p>Instituto Vulcanol\u00f3gico das Can\u00e1rias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e fotografias por Javier D\u00f3niz P\u00e1ez* A biodiversidade geralmente ocupa uma posi\u00e7\u00e3o cimeira no ranking das prefer\u00eancias aquando da escolha de um destino de turismo natural. 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