{"id":7143,"date":"2017-07-05T14:46:56","date_gmt":"2017-07-05T14:46:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistabinter.com\/?p=7143\/"},"modified":"2024-01-25T09:23:02","modified_gmt":"2024-01-25T09:23:02","slug":"pano-di-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/2017\/07\/05\/pano-di-terra\/","title":{"rendered":"\u201cPano di Terra\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 secular. <\/strong><strong>O pano de terra ou \u201cpanu di terra\u201d \u00e9 na verdade, um tecido t\u00edpico feito de forma artesanal em teares manuais. Foi nos s\u00e9culos XVI e XVII uma moeda de troca no com\u00e9rcio da costa africana, transformando a economia do pa\u00eds. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Manteve-se teimosamente enraizada na cultura do arquip\u00e9lago e h<\/strong><strong>oje os cabo-verdianos exibem-no, orgulhosamente, como uma das imagens de marca e a mais pura arte \u201cmade in Cabo Verde\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O \u201cpanu di terra\u201d tradicional \u00e9 feito apenas em algod\u00e3o e com as cores branca e preta. S\u00e3o confecionados em teares improvisados utilizados inicialmente pelos escravos capturados da costa da Guin\u00e9. Teve tanto peso na economia do arquip\u00e9lago que chegou a ser utlizado nas senten\u00e7as dos tribunais. Os r\u00e9us quando eram condenados a pagar multas avultadas pagavam em pano de terra.<\/p>\n<p>Esta tradicional pe\u00e7a de vestu\u00e1rio resulta de uma faixa longa e estreita\u2026 de cerca de 180 cm de comprimento e 17 cm de largura, uma pe\u00e7a \u00fanica em seu estilo cor e formato. A sua irregularidade acaba por garantir a sua pr\u00f3pria autenticidade.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia cada uma artes\u00e3o demora cerca de seis horas a manufatura-la e cada pe\u00e7a \u00e9 vendida no mercado nacional por 1.200 escudos cabo-verdianos.<\/p>\n<p>As tiras s\u00e3o usadas com frequ\u00eancia \u00e0 volta da cintura durante a genu\u00edna e tradicional dan\u00e7a do \u201cBatuku\u201d, para salientar os movimentos do corpo.<\/p>\n<p>Segundo reza a tradi\u00e7\u00e3o, os panos eram bastante usados nos funerais. As mulheres cobriam as suas cabe\u00e7as com panos grandes e limpavam as suas l\u00e1grimas nele. Era tamb\u00e9m utilizados nos atos e momentos simb\u00f3licos, nomeadamente nas cerimonias de pedido de casamento, onde a presen\u00e7a dos panos era quase que obrigat\u00f3rias, um sinal de respeito e considera\u00e7\u00e3o. Era tamb\u00e9m muito utlizado pelas sogras que ofereciam as meninas em v\u00e9speras de casamento. Estas acabariam mais tarde por utilizar os panos para carregar as crian\u00e7as \u00e0s costas, enquanto trabalhavam.<\/p>\n<p>Tradicional das ilhas de Santiago, Fogo e Brava, Cabo Verde desenvolveu uma verdadeira ind\u00fastria t\u00eaxtil de fabrica\u00e7\u00e3o destes panos. As cores tradicionais eram o preto e o branco, no entanto, hoje, encontram-se <strong>pano de terra<\/strong> de todas as cores que representam uma inova\u00e7\u00e3o nesta arte. A sua utiliza\u00e7\u00e3o como uma marca nacional ganhou terreno e conquistado franjas mais amplas da sociedade civil cabo-verdiana, nomeadamente a elite politica\u201d e sobretudo a juventude. Os panos di terra deixaram de ser um tecido utilizado apenas pela popula\u00e7\u00e3o rural e nas \u00faltimas d\u00e9cadas ganharam express\u00e3o, notoriedade e palcos internacionais.<\/p>\n<p>As confe\u00e7\u00f5es de moda t\u00eam introduzido tamb\u00e9m elementos de pormenor em pano de obra, numa alus\u00e3o clara ao orgulho nacional.<\/p>\n<p>Na verdade, o padr\u00e3o \u00e9 definido na altura de colocar a linha no tear logo no in\u00edcio do dia de trabalho. Atualmente, em Santiago \u00e9 feito com a linha vinda de Dakar e a introdu\u00e7\u00e3o de outras cores e padr\u00f5es tornou-se numa novidade que \u00e9 vista no mercado com habitualidade.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as variadas s\u00e3o utilizadas hoje com frequ\u00eancia por individualidades pol\u00edticas, artistas nacionais, homens e mulheres com destaque na sociedade cabo-verdiana. Exibem panos di terra como o s\u00edmbolo da mais pura arte crioula.<\/p>\n<p>Hoje, este emblem\u00e1tico tecido inspira a moda cabo-verdiana. Virou uma refer\u00eancia \u201c chic\u201d que empresta um estatuto identit\u00e1rio forte. A utiliza\u00e7\u00e3o do pano de terra em tecidos para confecionar vestidos, fatos, camisas, gravatas, chap\u00e9us, cintos, brincos, colares, toalhas, casacos len\u00e7os, carteiras para senhoras agendas para homens, enfim tem-se revelado uma verdadeira forma de valorizar a cultura cabo-verdiana. Atualmente n\u00e3o h\u00e1 artistas ou artes\u00e3os locais ou estilistas, alguns de renome que n\u00e3o se inspiram nos padr\u00f5es e tra\u00e7ados do \u201cpano di terra\u201d.<\/p>\n<p>Nas principais cerim\u00f3nias e evento p\u00fablicos do pa\u00eds, exalta-se o orgulho nacional. Ate mesmo os logotipos do estac\u00e3o nacional de Televis\u00e3o de Cabo Verde, a TCV, foi inspirada nos tra\u00e7ados do panu di terra. O facto \u00e9 que hoje, o tecido virou fonte de inspira\u00e7\u00e3o de todos os que que vem na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica uma forma de conquistar nomes no mercado. Cada um tenta marcar a diferen\u00e7a. Ousa e cria, disputa e tenta inovar.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do tradicional panu di terra, a sua visibilidade hoje e a forma como el tem sido exibida pelos cabo-verdianos quer no pais e essencialmente na di\u00e1spora, tem chamado aten\u00e7\u00e3o de muitos estrangeiros. Alguns, inicialmente por mera curiosidade, lan\u00e7am-se no terreno \u00e0 procura de conhecer a hist\u00f3ria destes tecidos e lan\u00e7am-se no terreno \u00e0 descoberta da forma da sua confe\u00e7\u00e3o e acabam fascinados pela arte.<\/p>\n<p>Passam dias noite e semanas no interior das ilhas. Instalam-se juntamente com os produtores, pequenos artes\u00e3os: por vezes ate montam estruturas e criam empresas. Empregam jovens, dao forma\u00e7\u00e3o, solicitam apoios para empoderar homens e mulheres e juntos trabalham num design mais apurado, investem na qualidade, criam marcas e lan\u00e7am-se no mercado com produtos mais caprichados e com uma qualidade mais garantida.<\/p>\n<p>O facto \u00e9 que de tao representativa que o pano di terra se tem revelado, que acabou por ser a pe\u00e7a escolhida pelo chefe de estado Jorge Carlos Fonseca durante a sua visita ao vaticano.<\/p>\n<p>Foi a pe\u00e7a que o chefe de estado cabo-verdiano encontrou para oferecer ao Papa Francisco. O mesmo gesto se repete em momentos simb\u00f3licos em que em causa esta a imagem que marca Cabo Verde. S\u00e3o poucas as malas que acompanham representa\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas cabo-verdianas ao exterior que n\u00e3o levam dentro algo com refer\u00eancia a pano de terra.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Hoje eles s\u00e3o encontrados em todos os cantos da cidade, com destaque para os quiosques e exposi\u00e7\u00f5es culturais. No mercado, \u00e9 o produto nacional mais exibido aos turistas. O pano di terra ganhou definitivamente o estatuto de ponto focal da cultura cabo-verdiana.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A emblem\u00e1tica faixa revela e carrega para qualquer lugar a indiscut\u00edvel identidade cabo-verdiana. O s\u00edmbolo de orgulho Nacional Made in Cabo Verde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 secular. O pano de terra ou \u201cpanu di terra\u201d \u00e9 na verdade, um tecido t\u00edpico feito de forma artesanal em teares manuais. 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