{"id":11541,"date":"2019-03-14T10:54:54","date_gmt":"2019-03-14T10:54:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistabinter.com\/?p=11541\/"},"modified":"2024-01-25T09:23:00","modified_gmt":"2024-01-25T09:23:00","slug":"em-cabo-verde-fui-abracada-numa-comunida-de-que-nao-me-questionava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/2019\/03\/14\/em-cabo-verde-fui-abracada-numa-comunida-de-que-nao-me-questionava\/","title":{"rendered":"&#8220;Em Cabo Verde fui abra\u00e7ada numa comunida de que n\u00e3o me questionava&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Por <em>N\u00faria Chantre<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fotografia por <em>Nuno Fernandes<\/em><\/p>\n<p>Viajante, com ra\u00edzes familiares pela India e por Portugal, jornalista, formadora e consultora de comunica\u00e7\u00e3o, Ana Pracaschandra decidiu, em 2016 fazer uma pausa na sua vida agitada da cidade de Lisboa. Partiu para as ilhas de Cabo Verde, onde viveu experi\u00eancias que resultaram na trilogia \u201cO Grito da Bananeira\u201d. Uma hist\u00f3ria de busca, la\u00e7os, cura pessoal e descobertas que s\u00f3 poderiam ser provocados pela viagem mais importante de todas: o mergulho aprofundado para dentro de si mesma. A autora fala-nos sem reservas do caminho interno percorrido, da s\u00edndrome do viajante e da sua luta pessoal contra a ansiedade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11543 size-large\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-1-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-1-161x242.jpg 161w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-1-750x1125.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-No teu livro, <em>O Grito da Bananeira I: Se N\u00e3o Se Vai<\/em>, explicas que esta \u00e9 uma hist\u00f3ria sobre pessoas e viagens. O que desencadeou a necessidade de realizar essas viagens?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2015 eu j\u00e1 tinha come\u00e7ado um percurso um bocadinho de n\u00f3mada, de andar a ter que viajar por alguns projetos profissionais e n\u00e3o estava a passar muito tempo em casa. E, no in\u00edcio de 2016, percebi que come\u00e7ava a sentir-me um polvo. Profissionalmente, emocionalmente muito esgotada. Cheguei a uma fase de esgotamento muito grande. J\u00e1 n\u00e3o conseguia escutar, nem ver a dire\u00e7\u00e3o certa. Num dia eu desempenhava tr\u00eas pap\u00e9is, como jornalista, como formadora, ou a ajudar noutros projetos como consultora de comunica\u00e7\u00e3o. Era muita coisa ao mesmo tempo, um desdobramento emocional, e percebi ent\u00e3o que tinha que parar. N\u00e3o estava a conseguir dar resposta. Parar, ir para um s\u00edtio com mar, calor, fora da Europa. E as tr\u00eas hip\u00f3teses que surgiram foram India, pelas raz\u00f5es \u00f3bvias de eu a\u00ed ter ra\u00edzes familiares, Tail\u00e2ndia ou Cabo Verde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>India, eu tirei logo da equa\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o estava preparada. Sentia-me t\u00e3o desequilibrada naquele momento. Tail\u00e2ndia tamb\u00e9m \u00e9 muito longe. Cabo Verde \u00e9 perfeito. \u00c9 a quatro horas daqui. \u00c9 a dist\u00e2ncia que neste momento eu me sinto preparada para percorrer. E tamb\u00e9m porque decidi ir tamb\u00e9m para um s\u00edtio onde n\u00e3o conhecesse ningu\u00e9m. Isso tamb\u00e9m era uma premissa. Onde eu n\u00e3o conhecesse ningu\u00e9m, onde eu pudesse estar sozinha, achava eu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-E como \u00e9 que come\u00e7ou este teu relacionamento com Cabo Verde?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, come\u00e7ou muito atrav\u00e9s da gastronomia e da m\u00fasica porque eu ia ver os concertos. Ia ao B.Leza, ia muito ao Estrela Morena, que \u00e9 um restaurante cabo-verdiano ali no Pr\u00edncipe Real. Fui ao Porto, \u00e0 Tambla, que \u00e9 outro restaurante cabo-verdiano maravilhoso. Ent\u00e3o fui estabelecendo la\u00e7os com essas pessoas que me falavam de Cabo Verde, viajava atrav\u00e9s do que me diziam e sentia uma conex\u00e3o. No Estrela Morena, o restaurante onde eu ia quase todas as semanas, o Vit\u00f3rio de S\u00e3o Vicente, que veio menino para c\u00e1 (portanto ele h\u00e1 40 anos que n\u00e3o vai \u00e0 terra dele), dizia-me sempre: \u201cN\u00e3o menina, tu tens que ir a S\u00e3o Vicente, \u00e9 a tua cara, tu vais-te identificar muito\u201d. E eu ouvia aquilo e aquela premissa foi germinando no cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o come\u00e7ou assim o relacionamento, mas muito intuitivo e pouco consciente. Foi uma escolha, na altura, intuitiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Em que momento ficou definido que era preciso embarcar n\u00e3o s\u00f3 numa viagem interna, mas tamb\u00e9m geogr\u00e1fica?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, foiruma mescla de condicionantes. Nesse ano faleceu a minha av\u00f3. Ou seja, que n\u00e3o foi uma perda de que n\u00e3o estivesse \u00e0 espera porque foi um trabalho interior feito de passagem, tamb\u00e9m de alegria, de passagem para outra dimens\u00e3o. Mas foi uma mescla de transi\u00e7\u00f5es, de perdas. De transforma\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es na minha vida pessoal, para al\u00e9m de toda essa exacerba\u00e7\u00e3o profissional que me fez intensificar uma vida espiritual que eu j\u00e1 vinha a ter, que eu j\u00e1 vinha a explorar. Percebi que para mudar certas circunst\u00e2ncias na minha vida, eu tinha que me mergulhar para dentro. E por isso \u00e9 que (no livro) eu falei da quest\u00e3o do escutar. Ou seja, para modificar certos padr\u00f5es e escolhas, para eu n\u00e3o cair sempre na mesma roda vida, como a m\u00fasica do Te\u00f3filo Chantre. A roda vida inconsciente da cidade, e Lisboa e as capitais t\u00eam esse poder de te anestesiar numa roda vida em que tu perdes j\u00e1 o rumo do que \u00e9 que est\u00e1s a fazer. E eu percebi. Para al\u00e9m de eu me mover geograficamente, eu preciso de mergulhar para dentro.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m \u00e9 falado no livro, \u00e9 uma tem\u00e1tica importante que tem sido discutida nos lan\u00e7amentos, \u00e9 a quest\u00e3o da ansiedade. Eu fui diagnosticada em 2015. Fui para o hospital, com uns sintomas assim um bocadinho menos subtis, mas eu n\u00e3o queria aceitar isso. Continuei a minha vida. N\u00e3o estava a ouvir o corpo. Ent\u00e3o isso tamb\u00e9m motivou essa viagem interna, porque eu n\u00e3o queria, nem quero, nem quis tomar medica\u00e7\u00e3o. Quis fazer outro tipo de abordagem nesse caminho de cura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Isto tudo instalou em ti um sentimento de autoconfian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, as pessoas diziam-me assim: Corajosa, foste para outro pa\u00eds sem conhecer ningu\u00e9m e dele conhecendo t\u00e3o pouco. E eu digo: N\u00e3o foi coragem nenhuma. Eu senti que n\u00e3o tinha outra hip\u00f3tese. Ou seja, ou ia ou rachava. Depois, talvez observando, eu senti-me muito aben\u00e7oada porque fui atraindo pessoas incr\u00edveis em Cabo Verde que me orientaram, que me guiaram, quase me adotaram. Foi maravilhoso. Senti-me aben\u00e7oada. Da\u00ed vem aquela sensa\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Como foram mudando os teus sentimentos ao longo da viagem?<\/strong><\/p>\n<p>A partir do momento na sala de embarque, em que come\u00e7aram logo estes receios normais de um destino desconhecido, sozinha. Eu comecei a prestar aten\u00e7\u00e3o ao que me rodeava e como a sensa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser t\u00e3o m\u00e1gica. Cada pessoa com quem eu falava, quando perguntava alguma coisa, parecia que me respondia exatamente o que eu precisava de ouvir, mesmo fazendo coisas muito simples. Eu recordo-me da Teresa na sala de embarque, do taxista que me foi buscar na ilha do Sal. Enfim, as pessoas, com a minha chegada a Cabo Verde, fizeram-me sentir muito segura. Eu fui-me entregando, rendendo a Cabo Verde atrav\u00e9s das pessoas, da bela <em>morabeza<\/em> e bela rece\u00e7\u00e3o que tive. Para al\u00e9m deste carinho e deste colo, eu tamb\u00e9m tive a oportunidade de estar comigo mesma e de explorar o tal mergulho. N\u00e3o te posso dizer que tenha sido uma linha reta emocional. Foi assim, muito curvil\u00ednea, mas fui sempre tentando ir na dire\u00e7\u00e3o do apaziguamento e foi isso que foi acontecendo. Nas primeiras duas semanas estive bastante tranquila. Pensei \u201cuau, isto \u00e9 incr\u00edvel, estou a conseguir desconectar-me de toda aquela ansiedade\u201d. E depois a vida mostra-me que n\u00e3o depende s\u00f3 do s\u00edtio, depende do trabalho que tu fazes, interno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Que li\u00e7\u00f5es foste aprendendo e que continuas a aprender com esta experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Muita sabedoria na simplicidade de viver o dia a dia, em partilha, em comunidade com muita alegria. Mas foi principalmente o estado de presen\u00e7a incr\u00edvel, como atrav\u00e9s das hist\u00f3rias e narrativas familiares, e pessoas com quem me cruzei, que me inspiraram a enraizar-me muito no agora, que \u00e9 precisamente a cura para a minha quest\u00e3o de ansiedade. Ent\u00e3o esta foi a li\u00e7\u00e3o, de me render, sem soltar as preocupa\u00e7\u00f5es. Em Cabo Verde eu aprendi que nada \u00e9 garantido e que mais vale aproveitar o agora, intensamente, inteiramente, do que j\u00e1 estar preocupada com o futuro. E a quest\u00e3o da partilha tamb\u00e9m foi muito importante. Sentir e observar e fazer parte. N\u00e3o interessa quem sejas, as pessoas partilham contigo. Casa, comida, tudo. O sorriso, uma dan\u00e7a, e esse viver em comunidade. Eu cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 assim que quero viver. N\u00e3o quero viver fechada num cub\u00edculo isolada, numa cidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11544 size-large\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-3-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-3-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-3-161x242.jpg 161w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AF_Chandi-3-750x1125.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-No livro falas muito dos mestres de esquina e das amizades que foram nascendo durante a tua visita. Em algum momento tiveste a sensa\u00e7\u00e3o de que, de repente, te tornaste parte de algo maior e de que isso era mais importante para ti?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Senti que tinha chegado a casa, finalmente. Porque, na verdade, em Portugal, n\u00e3o sei se gosto de dizer em Portugal, mas na minha viv\u00eancia destes anos, nascida neste pa\u00eds, sempre me senti deslocada, por v\u00e1rias raz\u00f5es. N\u00e3o sei se pode justificar-se isto com o pa\u00eds, talvez possa justificar-se com as refer\u00eancias familiares que eu tive, que agrade\u00e7o porque me fazem evoluir e movimentar. Mas, em Cabo Verde, o que senti foi que naturalmente, sem fazer grande coisa, sem fazer esfor\u00e7o, eu fui abra\u00e7ada numa comunidade que n\u00e3o me questionava. Ou seja, que n\u00e3o questionava de onde \u00e9 que eu era, para onde \u00e9 que eu ia, o que estava a fazer, enfim, simplesmente me abra\u00e7ou. E isso tornou-se exatamente o mais importante na minha vida. Ent\u00e3o, por isso \u00e9 que eu quis voltar. Se n\u00e3o se vai, n\u00e3o se volta. E foi exatamente a sensa\u00e7\u00e3o de casa que Cabo Verde me proporcionou que eu nunca havia sentido. E que me fez perceber o que \u00e9 que era importante para a minha vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-O livro conta tamb\u00e9m muito dos conselhos e das orienta\u00e7\u00f5es que recebias das pessoas. Como fazias para separar as palavras dos teus \u201cmestres de esquina\u201d das tuas pr\u00f3prias intui\u00e7\u00f5es? Alguma vez estiveram em conflito? <\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes em conflito. Mas \u00e9 no conflito que n\u00f3s percebemos tamb\u00e9m onde \u00e9 que estamos. Nas resist\u00eancias. Foi sempre em conson\u00e2ncia. Mas nem sempre eu estava imediatamente pronta para receber as orienta\u00e7\u00f5es. Mas a abertura era grande para isso. Foi um misto de mensagens que iam diretamente \u00e0 minha intui\u00e7\u00e3o com o caminho que eu j\u00e1 estava a fazer, com outras que despertam pela resist\u00eancia. Por exemplo, houve algu\u00e9m que me disse: tu est\u00e1s a receber todas as ben\u00e7\u00f5es, s\u00f3 tens de te abrir para elas. E eu pensei \u201cmas eu j\u00e1 me estou a abrir\u201d. E n\u00e3o. Quer dizer, ainda n\u00e3o estava. E h\u00e1 sempre coisas por trabalhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Como fazes para n\u00e3o te esqueceres do que tens aprendido nas viagens, e para manter aquele entusiasmo de seguir em frente e continuar neste estudo aprofundado sobre a tua pessoa?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o maior desafio, quando voltas para a tua base. A minha base \u00e9 aqui em Portugal. Apesar de eu ter tentado (isto encontra-se no segundo volume do livro) ir viver para Cabo Verde. O desafio \u00e9 precisamente (para mim), manter aceso esse entusiasmo. \u00c9 tamb\u00e9m curvil\u00ednea, e h\u00e1 momentos em que isso tornou numa depend\u00eancia, a viagem. N\u00e3o te vou mentir. Esta coisa, a s\u00edndrome do viajante. Identifico-me muito com uma sensa\u00e7\u00e3o de apaziguamento quando estou em transi\u00e7\u00e3o, mas nunca quando estou parada, e isto tamb\u00e9m pode tornar-se numa quest\u00e3o. Ent\u00e3o agora, pelo menos depois do lan\u00e7amento em Cabo Verde, concentrei-me nesse momento muito emocionante de concretizar o que eu tinha visualizado durante muito tempo; mas ao mesmo tempo eu estava menos feliz do que esperava. E foi assim: nesse momento \u00e9 que eu devia estar realizada, e n\u00e3o estava. Eu tive de olhar para dentro, ver que tinha que trabalhar muito, todos os dias, esta sensa\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a. E a sensa\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a, no meu caso, vem por exemplo atrav\u00e9s do corpo, percebes. Estamos aqui a falar e estou aqui a dar uma caminhada. \u00c9 isso, muito de coisas pr\u00e1ticas, exerc\u00edcios pr\u00e1ticos que podem ajudar nesta sensa\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a e de abertura que \u00e9 do teu corpo, da tua respira\u00e7\u00e3o, de respeitares os teus tempos, impores limites, dizeres n\u00e3o, tudo isso, tem de fazer parte da tua rotina espiritual. E \u00e9 um exerc\u00edcio todos os dias, desde que acordas. Mas eu tenho a s\u00edndrome do viajante. Neste momento n\u00e3o tenho nenhuma viagem prevista, mas apazigua-me saber que tenho um mundo inteiro por conhecer e que h\u00e1 essa possibilidade tamb\u00e9m, ou que se pode criar a possibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Porque \u00e9 que foi importante para ti transmitir as tuas experi\u00eancias neste livro?<\/strong><\/p>\n<p>Quando eu regressei de Cabo Verde a primeira vez, em abril de 2016, vim decidida que tinha que voltar. Mas at\u00e9 voltar havia todo um processo de prepara\u00e7\u00e3o para aquilo. E as hist\u00f3rias que eu tinha encontrado em Cabo Verde n\u00e3o paravam de me latejar na cabe\u00e7a e no cora\u00e7\u00e3o. O primeiro projeto que surgiu foi a ideia de fazer um blog. Senti que tinha que partilhar estas li\u00e7\u00f5es, estas hist\u00f3rias que eu aprendi com as pessoas, porque s\u00e3o incr\u00edveis, n\u00e3o podem ficar s\u00f3 para mim. Mas depois eu pensei, estas hist\u00f3rias entrecruzavam tanto, de ilha para ilha, de fam\u00edlia para fam\u00edlia, de amigos para amigos, e outros. E andei \u00e0 procura de uma ideia para um livro durante muito tempo, e n\u00e3o tinha a ideia que me puxasse, e ent\u00e3o de repente surgiu, click. Foi na casa da minha av\u00f3, perto do mar. Eu dormi sobre o assunto deste blog e no dia seguinte acordei com o t\u00edtulo, que seria, <em>Se N\u00e3o Se Vai, N\u00e3o Se Volta<\/em>. Mas depois adicionei <em>O Grito da Bananeira<\/em> porque vai ser uma trilogia. Foi tamb\u00e9m uma necessidade de voltar atr\u00e1s no tempo. De voltar a Cabo Verde. E a \u00fanica forma que eu tinha naquela altura era escrevendo e ouvindo a m\u00fasica. E ent\u00e3o por isso \u00e9 que a m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 um fator t\u00e3o importante no livro. Tem banda sonora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Nota-se no livro que entranhaste na viv\u00eancia cultural das ilhas, tanto na m\u00fasica como na poesia. Fale-nos um pouco de como sucedeu isso.<\/strong><\/p>\n<p>Olha, posso dizer que essa curiosidade foi muito intensificada pela cultura que \u00e9 nata em mim. Mas foi muito intensificado por eu estar in loco e por ter dicas de autores, ou por determinados locais culturais como Divin\u2019Art, que tinha uma biblioteca muito interessante a n\u00edvel de abordagem da m\u00fasica. Ou de conversar com o senhor Lu\u00eds na biblioteca do Centro Cultural do Mindelo, ele deu-me l\u00e1 tantas dicas de compositores cabo-verdianos. Ou de falar com o tio Kiki, que me apresentou todo o mundo da pintura, das artes que ele viveu naquela casa, que oportunidade poder estar com ele. Enfim, tudo foi muito inspirado pelas pessoas e quase entrevistas informais que fazia, por ter podido chegar a esse mundo t\u00e3o rico no universo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Os dois volumes que seguem (da trilogia), tamb\u00e9m retratar\u00e3o Cabo Verde e Portugal, ou outras paragens, ou ser\u00e1 que \u00e9 surpresa?<\/strong><\/p>\n<p>O terceiro n\u00famero ser\u00e1 noutro continente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Mas, e o segundo volume, pode dizer-nos se ir\u00e1 ainda retratar a segunda viagem que fez a Cabo Verde? Ou seja, os leitores saber\u00e3o mais sobre o desenrolar da cena com a concha?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. (Risos.) H\u00e1 muitas personagens que ficaram assim, no ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>-Diria ent\u00e3o que Cabo Verde faz parte dos seus planos para o futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Claro que sim. H\u00e1 muitas ilhas que quero visitar. Fogo, Maio, Brava. Conhecer Santiago melhor, sem d\u00favida. As festas de Sonjon em Santo Ant\u00e3o, a que eu n\u00e3o cheguei a ir. Tem tanta coisa por descobrir ainda. Fazer o curso de mergulho, agora que estou a perder o medo da \u00e1gua, quero dizer, fui perdendo. Devia ter feito o curso de mergulho, aquilo \u00e9 um s\u00edtio maravilhoso para o fazer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Grito da Bananeira encontra-se dispon\u00edvel na livraria do Centro Cultural do Mindelo e no restaurante Estrela Morena, em Lisboa. Tamb\u00e9m pode ser obtido no website <\/em><em><a href=\"http:\/\/amazon.co.uk\">amazon.co.uk<\/a><\/em><em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por N\u00faria Chantre Fotografia por Nuno Fernandes Viajante, com ra\u00edzes familiares pela India e por Portugal, jornalista, formadora e consultora de comunica\u00e7\u00e3o, Ana Pracaschandra decidiu, em 2016 fazer uma pausa &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":11547,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[734],"tags":[],"wps_subtitle":"Ana Pracaschandra, jornalista","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11541"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11541"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11541\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19163,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11541\/revisions\/19163"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}