{"id":10812,"date":"2018-12-04T13:44:06","date_gmt":"2018-12-04T13:44:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistabinter.com\/?p=10812\/"},"modified":"2024-01-25T09:23:00","modified_gmt":"2024-01-25T09:23:00","slug":"mindelo-a-perola-das-caraibas-africanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/2018\/12\/04\/mindelo-a-perola-das-caraibas-africanas\/","title":{"rendered":"Mindelo, a p\u00e9rola das Cara\u00edbas africanas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Por\u00a0<em>Salvador Aznar<\/em><\/p>\n<p>Havia viajado a Cabo Verde, com o encargo editorial de tirar fotografias em quatro das suas dez ilhas. Recolhendo informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, que procuro sempre compilar antes de cada viagem, apercebi-me de que alguns escritores e viajantes rotulam estas ilhas da Macaron\u00e9sia com o sugestivo nome de <em>Cara\u00edbas Africanas<\/em>. O clima e a vegeta\u00e7\u00e3o, mas sobretudo a semelhan\u00e7a na origem colonialista e a consequente mescla \u00e9tnica e cultural, que se evidencia na sua popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os principais fatores que permitem estabelecer pontos de contacto entre duas t\u00e3o distantes regi\u00f5es geogr\u00e1ficas.\u00a0 Seguindo o fio deste jogo de defini\u00e7\u00f5es e paralelismos, pod\u00edamos dizer que a encantadora cidade de Mindelo, considerada a mais acolhedora, cultural e musical de todo o arquip\u00e9lago, seria, categoricamente, a p\u00e9rola destas Cara\u00edbas africanas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10818\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000302-Mercadodepeixe-Mindelo-SanVicente-CV-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000302-Mercadodepeixe-Mindelo-SanVicente-CV-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000302-Mercadodepeixe-Mindelo-SanVicente-CV-162x242.jpg 162w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000302-Mercadodepeixe-Mindelo-SanVicente-CV-750x1124.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/p>\n<p>Depois de umas horas de voo e um par de escalas cheguei, vindo das Can\u00e1rias, ao moderno aeroporto Ces\u00e1ria \u00c9vora, na ilha de S\u00e3o Vicente, situado a meros 7 km da capital, a cidade de Mindelo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10817\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000250-Mindelo-SanVicente-CV-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000250-Mindelo-SanVicente-CV-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000250-Mindelo-SanVicente-CV-361x242.jpg 361w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000250-Mindelo-SanVicente-CV-750x501.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 calmo o ambiente das suas ruas e pra\u00e7as, em que assomam edif\u00edcios antigos e coloridos, de vincado estilo colonial. Vest\u00edgios da valiosa heran\u00e7a arquitet\u00f3nica deixada por brit\u00e2nicos e portugueses, que agora serve de monumental cen\u00e1rio para a via quotidiana do povo crioulo. A imagem dos veleiros fundeados na ba\u00eda, as in\u00fameras praias vizinhas, de \u00e1guas turquesa e areias douradas. A musicalidade das suas noites e o car\u00e1ter aberto e am\u00e1vel dos seus habitantes, tudo isto conforma a panor\u00e2mica desta atraente cidade.<\/p>\n<p>O Mindelo \u00e9 uma cidade bem cuidada, que conta com um importante patrim\u00f3nio arquitet\u00f3nico e monumental. O seu porto internacional permite a escala transatl\u00e2ntica e \u00e9 constantemente visitado por cruzeiros. O centro nevr\u00e1lgico da cidade pode ser visitado tranquilamente a p\u00e9.<\/p>\n<p>Para visitar a cidade, recomendo que se inicie o passeio ao dealbar da manh\u00e3, come\u00e7ando pela zona de costa onde se encontra o porto de recreio. Muito perto, passando a Biblioteca Nacional, podemos contemplar um vistoso alinhamento de casas coloniais, perante as quais se encontra a Torre de Bel\u00e9m, uma r\u00e9plica simples da famosa torre lisboeta. Atr\u00e1s desta torre h\u00e1 um embarcadouro onde chegam diariamente os barcos de pesca, para oferecer os seus produtos no buli\u00e7oso Mercado do Peixe, uma passagem que nenhum visitante deve perder.<\/p>\n<p>Umas quantas ruas acima, na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 da costa, deparamo-nos com a pra\u00e7a Estrela, uma zona da cidade com grande atividade, rodeada de pequenos bares e em cujo centro se encontram bancas de venda de frutas, legumes, artesanato e todo o tipo de quinquilharias. O ambiente da pra\u00e7a e dos arredores \u00e9 o mais acolhedor poss\u00edvel. Mesmo ao lado estende-se uma zona de pequenas lojas, tipo feira, e nas paredes vizinhas podemos deleitar-nos com a hist\u00f3ria do Mindelo, representada em atraentes mosaicos. Dedique algum tempo a apreciar o ambiente antes de seguir caminho para o centro hist\u00f3rico da cidade, come\u00e7ando pela Pracinha da Igreja, perto da qual se ergue a pequena igreja de Nossa Senhora da Luz, um antigo templo contru\u00eddo em 1862.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10816\" src=\"http:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000080-Mindelo-SanVicente-CV-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000080-Mindelo-SanVicente-CV-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000080-Mindelo-SanVicente-CV-361x242.jpg 361w, https:\/\/www.revistabinter.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/AF_0823000080-Mindelo-SanVicente-CV-750x501.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Chegados \u00e0 estrada principal, conhecida como Rua Libertadores de \u00c1frica, teremos ao alcance da vista alguns dos edif\u00edcios mais emblem\u00e1ticos da cidade, como o Mercado Municipal, o Pal\u00e1cio do Povo ou o pr\u00e9dio da Universidade, entre outros. Na caminhada encontrar\u00e1 muitas lojas dirigidas por chineses, que parecem dispostos a ocupar comercialmente o planeta.<\/p>\n<p>Neste momento do passeio eu j\u00e1 merecia um pouco de descanso e escolhi para tal a esplanada do bar Algarve, de onde podia, confortavelmente instalado, ver toda a \u00e1rea. Em tantas viagens aprendi que \u00e9 conveniente parar e observar como a vida flui ao redor das \u00e1reas em que os turistas se movimentam, \u00e9 surpreendente comprovar que h\u00e1 sempre certos personagens \u00e0 espreita de visitantes desnorteados.<\/p>\n<p>Antes de continuar o meu passeio at\u00e9 \u00e0 pra\u00e7a Nova fiz uma breve visita ao colorido Mercado Municipal, onde s\u00e3o oferecidos todos os tipos de produtos agr\u00edcolas, incluindo o famoso Grogue, uma aguardente de cana que ousei experimentar, uma del\u00edcia com que arriscamos uma perfura\u00e7\u00e3o da garganta. A pra\u00e7a Nova tem um belo coreto de estilo modernista com wifi, por isso \u00e9 comum por l\u00e1 ver, entre as belas zonas ajardinadas, grupos de jovens com telem\u00f3veis ou laptops.<\/p>\n<p>Cai a tarde enquanto percorro o Mindelo. Uma suave luz laranja vai iluminando as belas fachadas coloniais dos edif\u00edcios. Come\u00e7a a ser hora de procurar um cantinho simp\u00e1tico onde saborear alguma das del\u00edcias gastron\u00f3micas desta ilha.<\/p>\n<p>A praia da Laginha, onde se chega passando o porto, \u00e9 um lugar frequentado por locais e turistas para a pr\u00e1tica do surf e outros desportos, para banhos, passeio ou para saborear um bom prato de produtos do mar num dos restaurantes pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Enquanto desfruto do meu esmoregal (um delicioso peixe da zona) vai caindo a luz sobre o horizonte e, com o chegar da noite, uma Mindelo diferente come\u00e7a. \u00c9 a hora da m\u00fasica, do Batuque, do Funan\u00e1, da Morna ou da Mazurka, que expandem as suas notas pela cidade e, ao s\u00e1bado, numa avenida pr\u00f3xima do Mercado Municipal, organizam-se ser\u00f5es de m\u00fasica ao vivo. Uma cantora com a sua banda, um palco, umas luzes e a rua converte-se num sal\u00e3o de baile popular, improvisado e muito animado, em que os cabo-verdianos, em especial as cabo-verdianas, expressam o seu ritmo at\u00e9 altas horas da madrugada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Salvador Aznar Havia viajado a Cabo Verde, com o encargo editorial de tirar fotografias em quatro das suas dez ilhas. 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