{"id":10497,"date":"2018-10-03T10:11:33","date_gmt":"2018-10-03T10:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistabinter.com\/?p=10497\/"},"modified":"2024-01-25T09:23:01","modified_gmt":"2024-01-25T09:23:01","slug":"imaginario-atlantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/2018\/10\/03\/imaginario-atlantico\/","title":{"rendered":"Imagin\u00e1rio Atl\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro atrav\u00e9s de escritos mitol\u00f3gicos e depois por relatos contempor\u00e2neos, os arquip\u00e9lagos de Cabo Verde e Can\u00e1rias est\u00e3o unidos a fogo pelo l\u00edquido do oceano e da tinta<\/p>\n<p>Depois das colunas de H\u00e9rcules, hoje no estreito de Gibraltar, come\u00e7ava a Atl\u00e2ntida. Uma ilha extensa como um continente, descrita por Plat\u00e3o como um para\u00edso da natureza, com edifica\u00e7\u00f5es dignas da mais avan\u00e7ada civiliza\u00e7\u00e3o. O fil\u00f3sofo grego garante que este reino existiu e se expandiu at\u00e9 \u00e0 Gr\u00e9cia, onde a sua avareza foi castigada pelos deuses, que provocaram a sua queda e afundamento. Diz-se que desta ilha gigante apenas restam os seus vest\u00edgios, que afloram o Atl\u00e2ntico como um conjunto de arquip\u00e9lagos chamado Macaron\u00e9sia, um termo proveniente do grego que significa \u201cilhas afortunadas\u201d. Desde ent\u00e3o rios de tinta uniram Cabo Verde e Can\u00e1rias, relacionando a sua localiza\u00e7\u00e3o com o Jardim das Hesp\u00e9rides, os Campos El\u00edsios ou com as Ilhas dos Bem-Aventurados, o para\u00edso que os deuses ofereciam a her\u00f3is e virtuosos ap\u00f3s a sua morte.<\/p>\n<p>Se, nessa altura, o nexo liter\u00e1rio entre ambos os arquip\u00e9lagos se estabelecia pela fortuna, milhares de anos volvidos estabeleceu-se ent\u00e3o pela migra\u00e7\u00e3o. Can\u00e1rios e cabo-verdianos viram-se obrigados a partir para o mar durante s\u00e9culos, mas enquanto nas Can\u00e1rias o fen\u00f3meno tinha que ver com a instabilidade econ\u00f3mica que come\u00e7ou a assolar as ilhas a partir de 1670, Cabo Verde foi desde a origem concebido como arquip\u00e9lago de partida, no in\u00edcio por parte de escravos e depois j\u00e1 por migrantes. Por\u00e9m, \u00e9 em 1936, ano em que a revista \u201cclaridade\u201d v\u00ea a luz do dia, que esta realidade come\u00e7a a ser retratada na literatura cabo-verdiana, at\u00e9 ent\u00e3o inexistente. Entre os seus fundadores contam-se Baltasar Lopes e Jorge Barbosa, autores de relatos impregnados pela saudade, esse suspiro que sente tanto quem parte cheio de expectativas quanto quem fica, preso nas incertezas.<\/p>\n<p>Uma ideia tamb\u00e9m refletida nas obras de autores can\u00e1rios como os irm\u00e3os Luis e Agust\u00edn Millares Cubas ou Nicol\u00e1s Est\u00e9vanez Murphy. Perante o mito generalizado do personagem do \u00edndio, estes escritores mostram uma vers\u00e3o afastada daqueles que foram \u201cfazer as am\u00e9ricas\u201d, para descrever quem partiu com sonhos de progresso e encontrou sustento, ou quem regressou sem se encontrar na pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>Quando os can\u00e1rios e cabo-verdianos se expressaram na primeira pessoa desvendaram que, al\u00e9m da sua condi\u00e7\u00e3o comum de ilha ou da sua proximidade geogr\u00e1fica, h\u00e1 um momento na historia em que ambos se podem rever, denotando a sua condi\u00e7\u00e3o de ilhas \u00fatero. Uma marca de identidade insular marcada pela migra\u00e7\u00e3o, que acarretou a contradi\u00e7\u00e3o de sentir que n\u00e3o h\u00e1 maior calor que o que em casa se sente e, em simult\u00e2neo, sair em busca da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro atrav\u00e9s de escritos mitol\u00f3gicos e depois por relatos contempor\u00e2neos, os arquip\u00e9lagos de Cabo Verde e Can\u00e1rias est\u00e3o unidos a fogo pelo l\u00edquido do oceano e da tinta Depois das &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":10499,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[735],"tags":[],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10497"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10497"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10498,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10497\/revisions\/10498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistabinter.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}